Internet: O poder de derrubar um governo

Como será que a internet e as redes sociais influenciaram o nosso cenário político atual?

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Calma, esse texto não vai falar da disputa entre situação e oposição, não vai entrar no mérito se o impeachment é golpe ou não, não vai falar bem ou mal de um ou de outro governo. Esse texto vai discutir aspectos da influencia da internet e das redes sociais no processo político atual do Brasil.

Em um mundo globalizado, o acesso a todo tipo de informação se fez possível graças à Internet. Mas não foi só isso que ela permitiu: ela possibilitou a interatividade e, principalmente, deu voz às pessoas comuns, deu voz às ruas. Ela se tornou um poderoso meio para difundir ideias e pensamentos, com impactos locais e globais. Nesse contexto, sem o mérito de causas e consequências, a primavera Árabe e as manifestações de 2013 no Brasil são exemplos de movimentos que eram impensáveis sem a internet.

Porque impensáveis?

Voltando um pouco mais atrás, no tempo de nossos pais, a informação vinha de jornais impressos, da rádio e da TV. Era assim que eles se informavam. Qualquer pesquisa dependia dos livros e das bibliotecas. Qualquer fato que não veiculava nas mídias necessitava da famosa comunicação boca a boca que, apesar de sempre ter funcionado, se limitava àquela região específica.

Mas mesmo assim, movimentos e protestos aconteciam. O movimento “Diretas Já” é um exemplo: começou em Pernambuco, desceu para Goiânia, depois Curitiba, São Paulo, até crescer no País inteiro. Foram muitas reuniões e eventos, que começaram pequenos e foram crescendo. E veja: no grande comício do Vale Anhangabaú, em 1984 (1,5 milhão de pessoas), a comunicação foi feita por mais de três milhões de panfletos, 100 mil cartazes e chamadas no rádio e na TV. Os panfleteiros eram os líderes de diversos movimentos e sindicatos. Foi preciso reunir muitas entidades e muito dinheiro para atrair tantas pessoas.

Enfim, protestar em grandes proporções era caro e trabalhoso.

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Mas agora é diferente

A Internet, com suas redes sociais, ferramentas de abaixo-assinado, enquete, pesquisa etc., possibilitou o surgimento de novos movimentos, muitos deles organizados por pessoas sem interesses ou vínculos partidários, que representam a indignação de brasileiros preocupados com a crise econômica. Esses movimentos surgiram com a internet e se valeram fortemente dela para difundir suas ideias e suas revoltas.

Isso nos trouxe, de forma impressionante, ao cenário político atual. Tivemos, em 2016, manifestações maiores que as da “Diretas Já” (mais de 3,6 milhões de pessoas num único dia em todo o país), sem a necessidade de tanto investimento quanto naquela época. Temos consequências práticas no Congresso Nacional, com o afastamento da Presidente da República e do Presidente da Câmara dos deputados.

Correndo o risco de ser simplista, não dá pra acreditar que essas consequências políticas não têm relação com as manifestações nas ruas e, consequentemente, com os movimentos nas redes sociais.

Agora, mais do que derrubar um governo, esse cenário trouxe outro resultado prático que, na minha visão, é mais importante ainda. As pessoas estão se politizando. O fato de novos movimentos se organizarem nas redes sociais fez com que os contrários também se organizassem. Hoje as nossas timelines estão cheias de pessoas opinando, compartilhando textos, satirizando e até mesmo propagando mentiras (chega a ser chato, não é mesmo?).

Mas é um debate vivo, um retrato do mundo físico. Na verdade é tudo real, mesmo sendo virtual. São brasileiros conversando como conversam nas ruas. E nessa luta constante entre prós-isso e contras-aquilo, nessa guerra virtual em que a hostilidade muitas vezes se sobressai, ouso dizer que quem está ganhando são as pessoas que antes não tinham acesso a essas informações. O povo está se interessando mais por política e isso é uma grande vitória para a nossa sociedade.

Mais atenta, a sociedade obriga os políticos a estarem mais atentos e isso vai criando um ambiente saudável de cidadania e democracia. A tecnologia, que tem promovido uma revolução no mundo dos negócios, promete também promover revoluções no mundo político.

 

O autor:

autor
Tiago Santos é Publicitário, especialista em Marketing Digital e Sócio Proprietário da 2 Expressos Inteligência Digital. Pós graduado em Gestão de Projetos, Atua há mais de 15 anos com produção e projetos para o Online. Fale com ele.

 

Fontes:

 

O Poder das Palavras Chave Negativas

Tome cuidado para não esquecer uma parte importantíssima da sua divulgação em Adwords, as palavras chave negativas.

Todo mundo que se aventura no fantástico mundo dos Adwords (vulgo links patrocinados) se depara com o desafio: como escolher as palavras-chave corretas? Mas o meu texto de hoje não é sobre isso, quero falar sobre como escolher as palavras erradas.

Como assim? É simples, estamos falando das palavras chave negativas. Você pode não acreditar, mas elas têm tanto poder quanto as palavras chave normais. Elas fazem com que o seu anúncio não seja exibido para as buscas em que elas apareçam. Com isso, você mostra seus anúncios apenas às pessoas que estão mais propensas a clicar neles.

Um exemplo: Você tem um negócio de artigos de festas infantis e um de seus produtos é o tradicional balão colorido. Aí você cria anúncios com a palavra-chave “balão”. Ótimo, mas veio um cidadão e pesquisou por “Passeio de balão” e acabou sendo impactado pelo seu anúncio.

Temos aí dois cenários:

  • Se ele clicar, você paga o clique e adivinha o que ele vai fazer quando vir um site todo colorido de festa infantil? Vai sair rapidinho e aumentar um índice importantíssimo em seu site, que é a taxa de rejeição (percentual de pessoas que abandonam seu site);
  • Se ele não clicar, você tem uma impressão sem clique, o que ajuda a diminuir o seu CTR e o seu Índice de Qualidade.

Obs: se você ficou com dúvida, veja esse vídeo. Ele é bem didático, feito pelo próprio Google.

Quais são os ganhos? Eu destaco três principais:

  • Você evita que seu anúncio apareça em buscas de produtos ou assuntos que você não oferece.
  • Você economiza, tirando dinheiro de palavras que não trazem retorno.
  • Você ajuda a melhorar a Taxa de Rejeição do seu site (mas observe que existem outros fatores que impactam na taxa de rejeição, falaremos disso em outra oportunidade).

Viu como é importante? Se você vende qualquer coisa, não tem porque aparecer para pessoas que buscaram com as palavras “grátis”, “free”, “gratuito” entre outras. Antes de lançar uma campanha, garanta que você tenha uma boa estratégia de palavras-chave negativas.

E pra ser bem prático, como criar essa estratégia? Vou te ajudar:

1. Pense em palavras gerais que você gostaria de eliminar. Eu dei alguns exemplos acima, seguem mais alguns:

  • Vagas / Emprego / Currículo / Salário;
  • Como / Como fazer / O que é;
  • Gratuito / Gratuita / Graça / De graça;
  • Download / upload / baixar;
  • Sexo, pornografia e outras relacionadas;

Você pode ainda pesquisar listas já existentes na internet, muitas delas relacionadas a nichos específicos de negócios. Clique aqui e veja um exemplo (em inglês). Também pode usar listas de filmes, novelas e seriados de televisão.

Mas atenção, muita atenção:

Não caia na tentação do copia e cola. Essas listas são ótimas fontes de ideias que ajudam a gente a pensar nas possibilidades, mas cada negócio é diferente. Porque eu negativaria a palavra “salário” se eu tenho um site de empregos?

A ideia aqui é fazer um exercício de como e para quem você não quer divulgar seu negócio.

 

2. Use o Google:

20 dias depois que sua campanha estiver no ar, o Google disponibiliza a melhor ferramenta para te ajudar: o Relatório de Termos de Pesquisas.

Olha que legal, o próprio Google te mostra quais termos de busca estão exibindo os seus anúncios. Em outras palavras: quem viu seu anúncio pesquisou o que? Inclusive com dados de cliques, impressões e CTR.

Eu mesmo já tive um caso em que eu anunciei reforço escolar e descobri nessa ferramenta que um cidadão pesquisou por “Passe estudantil”, achou meu cliente e, pior, clicou. Jogamos alguns centavos no lixo.

Então use e abuse desta ferramenta. Ah, mas não ache que vai resolver tudo em uma tacada só, você tem que criar a campanha e monitorar todo dia.

 

3. Tome alguns cuidados:

  • As palavras-chave negativas devem ser usadas com muita cautela. O excesso delas pode prejudicar sua campanha, impactar no seu alcance e orçamento;
  • Verifique se as palavras-chave negativas não estão criando conflitos com as “positivas”. Se isso acontecer, pode impedir que um ou mais anúncios apareçam para o usuário;
  • Cuidado com algumas armadilhas relacionadas às variações dos termos. Olha esse exemplo que eu roubei do Google:

Digamos que você adicione a palavra-chave negativa “garrafa de vinho”. Seu anúncio ainda pode ser exibido para pesquisas e páginas com “garrafa de vidro”, “abridor de garrafa” ou “copo de vinho”. No entanto, seu anúncio não será exibido para pesquisas com “garrafa de vinho tinto” ou “abridor de garrafa de vinho”.

  • A regra aqui é estudar e buscar o equilíbrio. Pesquise os significados das palavras e procure balancear bem o que deve ou não entrar na sua lista negra. Monitore constantemente pra não deixar novas palavras indesejadas comerem sua verba.

 

Curiosidade: o que o Google ganha oferecendo esse recurso que, em teoria diminui sua receita? Para eles, não adianta ganhar mais dinheiro num curto prazo se os anúncios não são relevantes para o usuário. Com o tempo, eles deixariam de usar o Google e migrariam para outro motor de busca mais inteligente. Legal né?

Ainda sobre isso, recomendo muito esse vídeo que explica o funcionamento do leilão do Google. Os caras passaram madrugadas em claro inventando esses algoritmos pra você.

 

Então é isso. Espero ter esclarecido a importância desse recurso e como utilizá-lo. Até a próxima.

 

O autor:

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Tiago Santos é Publicitário, especialista em Marketing Digital e Sócio Proprietário da 2 Expressos Inteligência Digital. Pós graduado em Gestão de Projetos, Atua há mais de 15 anos com produção e projetos para o Online. Fale com ele.

 

Fontes:

 

Os Impactos da Internet Fixa Limitada

Limitar a internet fixa é necessário? Vamos entender um pouco sobre o que as empresas dizem, a lei diz e os impactos na sociedade.

Brigar com um assunto tão sério quanto um impeachment não é fácil, mas há um assunto que parece ter conseguido superar este desafio: a limitação da internet fixa no Brasil. E isso acontece porque a limitação da banda larga no Brasil pode ter um impacto enorme na vida de muitos brasileiros que usam a internet para diversos fins: estudo, pesquisa, trabalho, lazer, games, serviços etc. Se os dados são cada vez mais presentes em tudo o que fazemos, como simplesmente limitar este serviço?

Extremismos à parte, este novo modelo de fornecimento do serviço precisa ser avaliado sob as óticas legislativa, econômica, social.

Vamos começar sobre o Marco Civil na Internet!

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A Lei tem por objetivo principal estabelecer princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da Internet no Brasil. Ela assegura princípios como liberdade de expressão, pluralidade, livre concorrência, defesa do consumidor e, não menos importante, o direito de acesso à internet a todos. Em sua definição do que é a internet podemos ver o termo “para uso público e irrestrito.

Em vários momentos de seu texto, quer assegurar o livre acesso à Internet, como forma de exercício da cidadania. Ela assegura direitos, como o sigilo, a intimidade, a vida privada e a não suspensão da conexão à internet, salvo por débito diretamente decorrente de sua utilização.

Então aí faço a primeira pergunta: cortar o acesso por limitação de franquia está incluso dentro do conceito de “débito diretamente decorrente de sua utilização”? Não sou advogado, mas acredito que débito é quando a pessoa fica sem pagar e não quando excede uma determinada franquia. A Proteste acredita na mesma coisa.

Pois bem, a lei assegura ainda a manutenção da qualidade contratada da conexão à internet e isso me remete à segunda pergunta: Isso é cumprido fielmente pelas operadoras? Se você disse sim, me fale qual é que eu quero também!

Para finalizar a análise da Lei, ela diz que a função do Governo (do qual a ANATEL faz parte) é atuar na otimização da infraestrutura das redes, sem prejuízo à neutralidade e à natureza participativa, tomando iniciativas para promover a inclusão digital e buscar reduzir as desigualdades no acesso e no uso das tecnologias da informação.

Posto isso, analisando o assunto em questão, em um sistema em que pagamos por velocidade (megabytes por segundo), as pessoas de baixa renda têm acesso à rede, mesmo que em velocidade lenta. Mas em um sistema de franquia com corte ao final dela, esta pessoa tem um acesso limitado à quantidade de tráfego de dados que pode comprar, ou seja, participa menos da internet.

O fato da ANATEL ter se mostrado a favor desse novo modelo de cobrança sugere uma contradição entre seu papel e suas posições. É fato que o órgão recuou e proibiu as operadoras de realizar qualquer corte, mas a decisão, embora seja por tempo indeterminado, pode ser revertida quando o caso for analisado mais a fundo. 

Regulamentação dos Modelos de Cobrança

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Os modelos de cobrança, tanto de telefonia fixa, quanto de telefonia móvel, são regulamentados pela ANATEL, que tem defendido que a lei permite várias modalidades de franquias e de cobranças. O presidente da Anatel recentemente declarou à Agência Brasil que a agência não proíbe esse modelo de negócios e que a agência acredita que é importante para trazer garantias às operadoras, para que não haja desestímulo aos investimentos, uma vez que não se pode imaginar um serviço ilimitado para sempre.

A única exigência, segundo eles, é que o consumidor deve ter uma forma de monitorar o seu uso de dados em tempo real, além de ser informado quando o limite estiver perto de ser atendido.

E analisando o Regulamento Geral de Direitos do Consumidor de Serviços de Telecomunicações, este determina apenas que qualquer alteração em planos de serviços e ofertas deve ser comunicada ao usuário, pela prestadora, com antecedência mínima de 30 dias.

 

Precisa Limitar?

As operadoras estão afirmando que, para garantir a expansão e a qualidade da rede, o modelo atual é insustentável. Segundo elas, estamos em um momento de efeito “boca de jacaré”, em que o tráfego de dados cresce exponencialmente, enquanto a receita tem um crescimento muito menor, resultando em duas linhas que se afastam gradativamente.

Elas também estão se baseando em estudos e estatísticas que determinam um “perfil de usuário médio”. Segundo esses estudos, são poucos os que estouram o limite e para a maioria o que é contratado acaba sendo mais do que o suficiente para o mês. A partir desses dados, a própria ANATEL tem defendido que, com a internet ilimitada, a maioria dos usuários é prejudicada por certa minoria que passa o dia todo no YouTube ou no Netflix, ouve Spotify sem parar etc.

O próprio superintendente de competição da ANATEL, Carlos Baigorri, deu entrevista ao site Convergência Digital, na qual apontou:

“Não existe um único consumidor, então para quem está abaixo da média, consome menos, o limite é melhor. E pior para quem consome muito”.

Mas como exatamente pode ser melhor? Isso ele não explicou.

Em 2014, Carlos Baigorri defendeu que esse movimento acontece em todo o mundo e que foi acelerado no Brasil, em função de queda de receitas impostas por medidas anteriores da própria Agência Reguladora. Segundo ele, as operadoras teriam perdido mais de 30% do faturamento com essas medidas e, por isso, não podem mais financiar planos ilimitados ou infinitos que não se sustentam mais. Isso ele disse à época da mudança na rede móvel, mas previu também que a troca de modelo de cobrança pelo uso da rede se estendesse também para a banda larga fixa.

O debate é grande: segundo o site que referi acima, a estratégia de escassez na telefonia móvel, que depende do espectro radioelétrico, parece fazer sentido, mas nas redes fixas, em que a fibra óptica já é presente em todas as redes, é questionável. A OAB, o próprio Governo Federal e o Senado estão discutindo o assunto (quando não estão falando do impeachment).

 

Então porque não se limita a internet com base no conteúdo?

 

20150526-1540x1184_cO Marco Civil da Internet fala claramente que o acesso não depende de conteúdo e que quaisquer pacotes de dados, independente de conteúdo, origem e destino, serviço, terminal ou aplicação devem ser tratados de forma isonômica. Os serviços devem ser oferecidos em condições comerciais “não discriminatórias” e é vedado bloquear, monitorar, filtrar ou analisar o conteúdo dos pacotes de dados. Isso pra mim é um recado muito claro de que as operadoras não podem limitar o acesso de acordo com a sua finalidade, assim como o recado lá em cima era de que as operadoras só podem cortar o acesso em caso de inadimplência.

Além disso, o argumento de que uma minoria consome a maior parte da banda com conteúdo de entretenimento deve ser questionado em dois aspectos: o primeiro é que um conteúdo de entretenimento para uns, pode ser trabalho para outros. Existe muita gente trabalhando na internet com assuntos de todas as naturezas. Como julgar um critério tão subjetivo?

O segundo é que essa minoria parece não ser tão minoria assim. Um estudo estatístico do Google de fevereiro de 2014 dá conta de que os sites mais acessados pelos seus usuários no Brasil são o Facebook, o youtube, Globo.com, UOL, Twitter, Instagram, Netflix, Terra, Tumbir.

O ranking que eu encontrei da Alexa não é muito diferente. Os 10 sites mais acessados no Brasil, em 2015, são:

  • 1º Google.com.br
  • 2º Facebook.com
  • 3º Google.com
  • 4º Youtube.com
  • 5º Uol.com.br
  • 6º Globo.com
  • 7º Yahoo.com
  • 8º Live.com
  • 9º Mercadolivre.com.br
  • 10º Wikipedia.org

O que isso quer dizer? Eu interpreto que os sites mais relacionados a entretenimento, embora o conceito seja subjetivo, são os mais acessados da internet, o que, a meu ver, derruba por terra esse argumento de minoria.

 

Impactos Sociais

shutterstock_255276976.jpgEntão vamos lá: quais são os prejuízos para a sociedade? O primeiro que eu enxergo é o fato de se privar as pessoas com menos renda do acesso à internet. Isto significa descumprir o princípio da neutralidade da rede.

O segundo impacto é econômico. Cortar o acesso e até mesmo diminuir a velocidade priva o uso de serviços como Netflix, Youtube e iTunes a uma parcela enorme da população de renda baixa a média, significando, além da desigualdade óbvia, uma queda brutal na arrecadação financeira dos serviços. Não preciso dar exemplos, você deve ter visto por aí nos gráficos de Facebook o quanto que um único capítulo de House of Cards consome em termos de banda. Quem quiser assistir, mas tiver limite baixo, já era. Fim de papo.

Mas não é só isso: pense por um instante em todas as empresas instaladas no país que dependem da internet para funcionar. Não achei nenhum estudo a respeito, mas não é difícil imaginar que os prejuízos financeiros dessas empresas poderão trazer um impacto econômico imenso, agravando ainda mais o desemprego e a crise financeira.

Os gráficos que eu vi no Facebook mostravam uma diferença enorme entre os planos que serão oferecidos aqui e os que são oferecidos nos EUA. Lá, em geral, é mais rápido, mais barato e com franquias maiores. Ou seja, até seria aceitável o argumento de que mudar o modelo de cobrança no Brasil nos alinha aos modelos internacionais, desde que as condições comerciais, econômicas e as de qualidade de serviço não fossem tão divergentes.

Mas ainda discutindo impactos econômicos, temos que analisar outro aspecto importante. Hoje, mais de 90% do mercado é representado pelas empresas Oi, Net e Telefônica. Essas grandes teles consolidaram um mercado em que a entrada de serviços alternativos que ofereçam concorrência é praticamente impossível. Assim, mudar o modelo econômico sem garantir que haja condições para o surgimento de novas empresas com ofertas mais atraentes é nocivo ao consumidor.

Em suma, os que têm menos renda terão menos internet, o que vai à contramão dos imensos ganhos sociais que tivemos nos últimos anos em termos de inclusão digital. É triste.

 

Se é tão ruim para o Brasil, o que poderia estar por trás disso tudo?

Se você é cliente da GVT, deve ter percebido que a sua conta agora vem escrito VIVO. A NET também já há algum tempo faz parte do grupo CLARO. Os principais grupos de telefonia dominam quatro mercados que fazem parte da vida de todos nós: telefonia celular, telefonia fixa, banda larga ADSL e televisão a cabo. São conglomerados muito poderosos, com influência política e financeira.

Mas o mundo está sendo transformado pela internet e a cada dia surgem novas tecnologias e aplicativos. O WhatsApp revolucionou a comunicação mobile, acabando com a necessidade de uso do SMS, por exemplo. O Skype acabou com a necessidade de uso do DDD ou DDI, além de permitir reuniões e videoconferências com a participação de duas ou mais pessoas. O Facebook Messenger e o Viber também criaram uma via de comunicação com as pessoas, em menor escala, porém não diferente. O Netflix, por sua vez, revolucionou as nossas telinhas de tablets, laptops e Smart TVs, permitindo ao consumidor assistir o que quiser na hora que quiser a R$ 20. Enquanto isso, crescem as reclamações acerca dos canais de TV fechada, que repetem demais a programação, não conseguindo acompanhar a crescente necessidade de conteúdos que a internet promoveu. A consequência: muita gente tem cancelado seus planos de TV fechada e migrado para o Netflix.

Será que isso tudo tem agradado as operadoras? Bom, o presidente da Vivo já chegou a mencionar que o WhatsApp é “Pura Pirataria”. O que você acha?

Por que estou dizendo tudo isso? Para mostrar que quase todos os mercados desses conglomerados estão sendo substituídos por serviços de empresas de internet. As razões são várias, mas basicamente a migração se dá pelo custo elevado e pela entrega de má qualidade, enquanto os novos serviços são inovadores e acessíveis (acessíveis mesmo, muitos são gratuitos).

A banda larga e o serviço de dados móveis são os únicos serviços que estão crescendo, isso porque eles proveem o acesso a todos os demais serviços. Então vamos fazer uma conta matemática simples: se você tem uma empresa de telefonia e os serviços mais caros estão em queda e os mais baratos crescendo, o que você faz com o preço dos mais baratos? Você aumenta! Mas e se as pessoas comprarem os mais baratos, mesmo que com velocidade lenta? Ah, aí você corta o acesso. A conta parece fechar.

 

Por fim…

Isto posto, sem querer ser simplista e esgotar o assunto em alguns parágrafos, deixo aqui o pensamento de que as operadoras precisam começar a se reinventar para sobreviverem. A influência política não as manterá para sempre, pois o mundo já é digital e a era da inovação já é realidade. Governos e órgãos reguladores, por mais que tentem, não conseguirão acompanhar esse novo ritmo de surgimento de novos serviços e tecnologias, mas as empresas privadas se quiserem podem, desde que se reorganizem para isso e queiram de verdade essa mudança.

O autor:

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Tiago Santos é Publicitário, especialista em Marketing Digital e Sócio Proprietário da 2 Expressos Inteligência Digital. Pós graduado em Gestão de Projetos, Atua há mais de 15 anos com produção e projetos para o Online. Fale com ele.

 

Fontes: